
A vida é uma eterna ciranda e estamos sempre brincando, fingindo, dissimulando, enganando e tudo mais que possa existir nessas pequenas e ofensivas palavras que nos rodeiam como parasitas nefandos.
A vida é um fingimento, poderia perfeitamente dizer o mais sincero dos poetas. E talvez eu realmente acredite nisso. Entretanto, há algo mais diabólico por trás dessa farsa, desse grande teatro que é a vida. Não sei definitivamente o que é. Só sei que é. E ponto.
Estamos o tempo todo (falo agora de nós, seres humanos, meros mortais, e não mais da vida em específico) tentando provar aos outros que somos pessoas que na verdade não somos. Que fazemos coisas que na verdade não fazemos. Que sentimos - solidariedade, afeto, não importa o nome – sensações que na verdade não sentimos. Somos máscaras, rótulos, estereótipos. E a verdade onde fica nisso tudo? E os nossos mais profundos sentimentos? Para onde vão? Esses, na maioria das vezes, ficam escondidos em gavetas empoeiradas, dividindo espaço com toneladas de papéis sem sentido, acumulados entre tristezas e insatisfações as mais diversas e cruéis.
Se eu queria voltar atrás? Entrar numa máquina do tempo que me permitisse reescrever a minha história? Lógico! Quem não gostaria? Acha que eu acredito nesse oba-oba mesquinho de algumas vezes que jogam na minha cara “não mudaria nada do meu passado”? Balela. Todo mundo mudaria. A prova disso é a enxurrada de modificações estéticas que se transformou a nossa sociedade, essa aldeia de mutilados, transformados, adaptados, que muda tudo que incomode. E, às vezes, esse incômodo surge e desaparece num prazo tão curto que nem dá tempo de cronometrar no relógio. Todo mundo quer mudar algo e quem não pode, gostaria.
Mudar tudo.
De casa, de emprego, de carro, de vida, de namorado(a), noivo(a), Marido(esposa), os gostos, as glórias, ufa! Chega... Eu poderia escrever uma lauda inteira dessas só com o que o ser humano desejaria mudar e ainda faltaria muita coisa.
É culpa da vida esse desejo de mudança?
É nossa culpa?
De quem é a culpa?
Culpa? Você está aí?
Enquanto procuro as respostas a ciranda continua rodando. Pois como dizia a belíssima voz do cantor Freddie Mercury, “The show must go on”.






